O sexto concílio da história, Constantinopla III e o confronto entre obediência verdadeira e soluções humanas

Ilustração do Terceiro Concílio de Constantinopla, realizado entre 680 e 681 d.C., com bispos reunidos em assembleia, Escrituras abertas e a cidade de Constantinopla ao fundo

Após Jerusalém, Niceia, Constantinopla, Calcedônia e o Segundo Concílio de Constantinopla, a Igreja chega ao sexto grande concílio da sua história, conhecido como o Terceiro Concílio de Constantinopla, realizado entre os anos 680 e 681 d.C.

Neste momento, o cristianismo já está profundamente moldado por estruturas imperiais, hierarquias consolidadas e fórmulas teológicas bem definidas. Ainda assim, a Igreja se vê novamente diante de uma crise que toca o coração do Evangelho, a verdadeira humanidade de Cristo e a realidade da sua obediência.

A pergunta agora não é apenas quem Cristo é, mas como Ele age.

O problema que levou ao Terceiro Concílio de Constantinopla

A controvérsia central deste concílio é conhecida como monotelismo, a ideia de que Cristo teria apenas uma vontade, essencialmente divina, mesmo possuindo duas naturezas.

A proposta parecia, à primeira vista, conciliadora. Ela buscava preservar a unidade da pessoa de Cristo e evitar conflitos com grupos que rejeitavam Calcedônia. Porém, ao fazer isso, acabava comprometendo algo essencial, a plena humanidade de Jesus.

As perguntas que surgiam eram profundas:

Cristo possui uma vontade humana real ou apenas aparenta humanidade?
Se Ele não teve vontade humana, Ele realmente obedeceu?
Se não houve obediência humana, o que significa a redenção?

Para os gentios, essa discussão tinha impacto direto, pois o Evangelho anuncia um Cristo que viveu a condição humana de forma plena, não apenas simbólica.

As bases bíblicas usadas no concílio

O concílio recorreu fortemente às Escrituras para afirmar que Cristo possui duas vontades, divina e humana, em perfeita harmonia.

Um dos textos centrais foi:

“Porque desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6:38).

Esse texto mostra claramente a existência de uma vontade que se submete, algo impossível se Cristo tivesse apenas uma vontade divina.

Outro texto decisivo foi:

“Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42).

Aqui, a tensão entre vontade humana e obediência aparece de forma explícita. Cristo deseja, sente, resiste, mas obedece.

Também foi fundamental:

“Ainda que era Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hebreus 5:8).

Esse versículo foi crucial para afirmar que a obediência de Cristo não foi automática, mas vivida dentro da experiência humana.

As decisões do sexto concílio

O Terceiro Concílio de Constantinopla rejeita o monotelismo e afirma que Cristo possui duas vontades naturais, divina e humana, sem oposição, mas em perfeita cooperação.

Essa decisão protege algo essencial do Evangelho, Cristo não apenas salva como Deus, Ele obedece como homem.

Para a fé cristã, isso é decisivo. A redenção não é um ato distante, mas uma obediência real vivida dentro da história humana.

Pontos fortes do sexto concílio

Entre os aspectos positivos, destacam-se:

A defesa da plena humanidade de Cristo
A preservação do valor da obediência humana na redenção
A fidelidade ao testemunho bíblico sobre a vida de Jesus
A proteção do Evangelho contra uma espiritualização excessiva

Nesse sentido, o concílio resgata algo que estava em risco, a centralidade da encarnação vivida, não apenas definida.

Pontos fracos e sinais de desgaste contínuo

Ao mesmo tempo, o concílio revela novamente as fragilidades da Igreja institucional.

A solução correta surge em meio a pressões políticas, disputas de autoridade e condenações formais. A verdade bíblica é afirmada, mas o caminho até ela passa cada vez menos pela vida comunitária e cada vez mais por decisões imperiais.

Mesmo quando acerta, a Igreja demonstra dificuldade em confiar que o Evangelho se sustenta pela própria força da verdade, sem necessidade de coerção.

Aqui, de forma sutil, percebe-se mais um passo no distanciamento entre a simplicidade do Evangelho e a complexidade institucional que se consolida ao longo da história.

A Igreja diante da obediência que proclama

O sexto concílio ensina algo profundo e incômodo. A Igreja defende um Cristo obediente, que se submete, que sofre e que confia no Pai.

Ao mesmo tempo, a própria Igreja luta para viver essa mesma obediência, preferindo muitas vezes o controle, a uniformidade e a imposição.

Esse contraste não invalida a verdade proclamada, mas expõe a tensão permanente entre revelação divina e limitação humana.

Um concílio que corrige e adverte

O Terceiro Concílio de Constantinopla corrige um desvio importante e preserva a integridade do Evangelho ao afirmar a vontade humana de Cristo.

Mas ele também adverte. A Igreja pode proteger verdades essenciais e, ainda assim, continuar se afastando do espírito simples e confiante que marcou as primeiras comunidades cristãs.

A história mostra que o afastamento não ocorre pela rejeição da Bíblia, mas pelo uso da Bíblia como instrumento de sistemas humanos que tentam controlar aquilo que deveria conduzir à fé viva.

Referência externa para validação histórica

Análise histórica do Terceiro Concílio de Constantinopla, seu contexto, decisões e impacto na história do cristianismo, disponível no Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terceiro_Conc%C3%ADlio_de_Constantinopla


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