{"id":407,"date":"2026-01-24T10:50:19","date_gmt":"2026-01-24T13:50:19","guid":{"rendered":"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/?p=407"},"modified":"2026-01-24T14:46:06","modified_gmt":"2026-01-24T17:46:06","slug":"cheirinho-de-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/cheirinho-de-infancia\/","title":{"rendered":"Cheirinho de inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<p>Existem mem\u00f3rias que n\u00e3o chegam at\u00e9 n\u00f3s como um filme com come\u00e7o, meio e fim. Elas chegam quebradas. Fragmentadas. V\u00eam em flashes, em cortes bruscos, em sensa\u00e7\u00f5es soltas, um cheiro que atravessa o tempo, um barulho distante, uma imagem sem moldura. A isso damos o nome de mem\u00f3ria fragmentada. N\u00e3o \u00e9 falha. \u00c9 defesa. O c\u00e9rebro aprende a guardar a vida em peda\u00e7os quando a experi\u00eancia \u00e9 intensa demais, quando o cora\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o sabe organizar o que sente. Por isso, em vez de hist\u00f3rias bem contadas, ficam emo\u00e7\u00f5es cruas.<\/p>\n\n\n\n<p>O oposto disso seria uma mem\u00f3ria cont\u00ednua, coesa, organizada, aquela lembran\u00e7a que conseguimos contar sem trope\u00e7ar, sem buracos, sem sil\u00eancios desconfort\u00e1veis. Mas a verdade \u00e9 que quase ningu\u00e9m tem isso quando o assunto \u00e9 inf\u00e2ncia. Qual \u00e9 a mem\u00f3ria mais antiga que voc\u00ea tem? Que idade voc\u00ea tinha naquela \u00e9poca? Rebobinar essa fita n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto parece. \u00c0s vezes nem \u00e9 claro se estamos lembrando de algo que realmente vivemos ou de uma fotografia antiga, ou ainda de um relato contado tantas vezes que acabou sendo incorporado como se fosse nosso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FB_IMG_1769258080979-150x150.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-421\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A maioria das pessoas n\u00e3o se lembra dos tr\u00eas ou quatro primeiros anos de vida. Dos sete anos para tr\u00e1s, ent\u00e3o, o que sobra \u00e9 pouco. E mesmo esse pouco vem misturado. Mas ainda assim, algo ali \u00e9 verdadeiro. Algo que n\u00e3o se explica, apenas se sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi pensando nisso que resolvi rebobinar. Voltar. Tocar em lembran\u00e7as que o cotidiano, as responsabilidades e a vida adulta nos roubam sem pedir permiss\u00e3o. Porque antes de tudo isso, antes das cobran\u00e7as, das contas, das press\u00f5es e das escolhas dif\u00edceis, eu fui apenas uma crian\u00e7a. E voc\u00ea tamb\u00e9m foi. Sonhadora. El\u00e9trica. Curiosa. Desobediente, rsr. Pronta para experimentar tudo como se fosse a primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha primeira mem\u00f3ria mais n\u00edtida come\u00e7a quando minha fam\u00edlia se mudou para o bairro Santa M\u00f4nica, em Belo Horizonte. Eu tinha por volta de sete anos. A rua onde fomos morar parecia um universo inteiro condensado. Metade dela era de cal\u00e7amento, aquelas pedras irregulares, tipo p\u00e9 de moleque, que n\u00e3o prometiam muitas aventuras. A outra metade tinha asfalto. E aquilo\u2026 aquilo j\u00e1 fazia meu cora\u00e7\u00e3o bater diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O asfalto n\u00e3o era apenas ch\u00e3o. Era promessa. Era convite. Era cen\u00e1rio. Ali, antes mesmo de tocar numa bola, eu j\u00e1 enxergava campeonatos, finais hist\u00f3ricas, gols decisivos narrados com emo\u00e7\u00e3o. Tudo ainda dentro da cabe\u00e7a de um menino.<\/p>\n\n\n\n<p>A cerca de quatrocentos metros de casa havia um campo de futebol. Naquele instante n\u00e3o houve d\u00favida nenhuma, eu tinha me mudado para muito perto do para\u00edso. A escola ficava a uns oitocentos metros. Tudo o que um garoto de sete anos precisava para viver, correr, sonhar e voltar para casa suado e feliz estava a poucos minutos de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/piscina_minha_casa_quando_crianca-300x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-409\" style=\"width:167px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/piscina_minha_casa_quando_crianca-300x300.jpg 300w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/piscina_minha_casa_quando_crianca-150x150.jpg 150w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/piscina_minha_casa_quando_crianca.jpg 698w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Meu pai, naquela \u00e9poca, trabalhava com transporte de passageiros. Minha m\u00e3e era dona de casa. Em 1987, eu e meus dois irm\u00e3os mor\u00e1vamos numa casa grande, com quintal na frente e nos fundos. Na frente havia um aqu\u00e1rio que, na minha mem\u00f3ria, sempre pareceu uma piscina. Nos fundos, um quintal enorme, com \u00e1rvores e um p\u00e9 de ameixa amarela, a n\u00easpera, que fazia parte do cen\u00e1rio sem pedir destaque.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o grande tesouro daquela casa era a laje.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem viveu aquela \u00e9poca sabe. Soltar papagaio, ou pipa, n\u00e3o era apenas uma brincadeira. Era disputa. Era estrat\u00e9gia. Era desafio. Era c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi com todas essas possibilidades que comecei a construir as melhores lembran\u00e7as da minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na rua  onde eu morava, rua Janet Clair , moravam cerca de trinta crian\u00e7as. Trinta. Idades parecidas, energia infinita, imagina\u00e7\u00e3o sem freio. Um ex\u00e9rcito. Um ex\u00e9rcito de vontades, ideias e desafios inventados na hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Jog\u00e1vamos v\u00f4lei, queimada, rouba bandeira, pique-esconde. \u00c0s vezes n\u00e3o jog\u00e1vamos nada. Apenas sent\u00e1vamos em roda para contar piadas ou hist\u00f3rias de terror, aquelas que davam medo mais pelo clima do que pela hist\u00f3ria em si. N\u00e3o havia limites claros. A rua era nossa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"225\" src=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meus_irmaos_quando_crianca-300x225.jpg\" alt=\"Os\u00e9ias, Mizael e Wagner\" class=\"wp-image-414\" style=\"aspect-ratio:1.333357199112193;width:199px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meus_irmaos_quando_crianca-300x225.jpg 300w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meus_irmaos_quando_crianca-768x576.jpg 768w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meus_irmaos_quando_crianca.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Os\u00e9ias, Mizael e Wagner<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando o assunto era futebol, os apaixonados subiam at\u00e9 aquele pequeno trecho de asfalto. Dois chinelos Havaianas viravam o gol perfeito, separados por mais ou menos tr\u00eas metros. Do outro lado, a mesma coisa. Pronto. Estava montado o est\u00e1dio. Disput\u00e1vamos o maior campeonato de todos, a pelada.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo brasileiro sabe o que \u00e9 uma pelada. Era todo mundo descal\u00e7o. A bola era a famosa dente de leite. Quem jogou com ela sabe. Nem o Roberto Carlos, ex-jogar profissional da sele\u00e7\u00e3o brasileira colocava mais curva numa bola do que um garoto de sete anos cheio de vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>E ali acontecia um milagre. N\u00e3o pequeno. Um milagre enorme. O milagre da multiplica\u00e7\u00e3o. Come\u00e7\u00e1vamos com poucas crian\u00e7as da rua e, de repente, surgiam meninos da rua de cima, da rua de baixo, da rua ao lado. Quem perdesse a partida, ficava na de fora, muito tempo na de fora. Muito mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed a mente mudava. Perder j\u00e1 n\u00e3o era op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As emo\u00e7\u00f5es ficavam \u00e0 flor da pele. Da pele mesmo. Do ded\u00e3o do p\u00e9 esfolado. Da unha quebrada. Dos hematomas que s\u00f3 eram percebidos na hora do banho. Ali fiz meus melhores gols. Joguei meus campeonatos mais importantes. Dei canetas inesquec\u00edveis. Apliquei chap\u00e9us que, na mem\u00f3ria, ficaram gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havia juiz. Cada um decidia se era falta, p\u00eanalti ou lateral. Era justo? Nem sempre. Mas quem gritasse com mais for\u00e7a, com mais convic\u00e7\u00e3o, ganhava a raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E ali r\u00edamos. Chor\u00e1vamos. Brig\u00e1vamos. E no fim do dia \u00e9ramos campe\u00f5es por um motivo simples, t\u00ednhamos sido felizes.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma frase do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cl%C3%B3vis_de_Barros_Filho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fil\u00f3sofo Cl\u00f3vis de Barros Filho<\/a> que explica isso com precis\u00e3o cir\u00fargica. Ele diz que &#8220;felicidade \u00e9 um instante em que a gente queria que durasse para sempre&#8221;. E quando ouvi isso pela primeira vez, entendi imediatamente. Porque naquele asfalto improvisado, naquele gol feito de chinelo, naquele fim de tarde suado e empoeirado, tudo o que eu queria era que aquilo n\u00e3o acabasse nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum momento pensei, j\u00e1 somos profissionais do asfalto. Vou jogar no campo de terra. Era um campo grande, de terra fofa, poeira que denunciava de longe que havia jogo. E minha m\u00e3e\u2026 voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 entendendo. Ela j\u00e1 n\u00e3o gostava de futebol. Gostava menos ainda de sujeira. Filho sujo, roupa encardida, cabelo duro de poeira. Jogar ali era oficialmente proibido at\u00e9 eu completar uns onze anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oficialmente,<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Porque sempre existiam aqueles dias em que, quando perceb\u00edamos, j\u00e1 tinham se passado tr\u00eas horas de jogo. At\u00e9 algu\u00e9m gritar, acho que \u00e9 sua m\u00e3e vindo ali. E naquele mil\u00e9simo de segundo um filme inteiro passava na cabe\u00e7a. J\u00e1 estou aqui h\u00e1 horas? Minha roupa est\u00e1 suja? Meu corpo est\u00e1 sujo? Meu cabelo est\u00e1 sujo? Minha m\u00e3e n\u00e3o deixa eu jogar aqui. Aquela pessoa vindo \u00e9 minha m\u00e3e? O que vai acontecer comigo? Castigo? Bronca? Apanhar? Ser\u00e1? Ser\u00e1? Ser\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem viveu isso sabe. Quem n\u00e3o viveu n\u00e3o faz ideia do peso emocional desse caminho at\u00e9 em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, ali est\u00e3o alguns dos melhores registros da minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim de semana vinha a escola. E foi ali que fiz meu primeiro grande amigo, o Beto. Engra\u00e7ado. Esquisito. Corajoso. Durante mais de dez anos fomos insepar\u00e1veis. Casa um do outro. Videogame. Futebol de rua, de casa, de campo, de quadra. Trabalhos escolares. Anos que passamos juntos. Anos que repetimos. R\u00edamos tanto que \u00e0s vezes parecia imposs\u00edvel ainda sobrar tempo para conversar.<\/p>\n\n\n\n<p>A inf\u00e2ncia parecia eterna. Mesmo assim, quer\u00edamos viver tudo <strong>agora<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>E havia a laje, voce lembra que eu falei dela? A mais alta da rua. A melhor de todas para soltar papagaio. A vantagem era clara. Cortar a linha do outro era o objetivo. O c\u00e9u ficava tomado. Mais de cem papagaios num \u00fanico dia. Linhas cruzadas. Em segundos uma era cortada. E ali nascia a adrenalina.<\/p>\n\n\n\n<p>Um papagaio cortado virava corrida. Confus\u00e3o organizada. Todos olhando para cima, correndo sem dire\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha tantos carros como agora, e o perigo mesmo era voc\u00ea correndo e olhando para cima atropelar algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a laje tamb\u00e9m era perigo. Olhar para cima podia significar cair. Por isso, \u00e9ramos proibidos de subir. Proibi\u00e7\u00e3o que funcionou. Por isso estou aqui escrevendo. Mas n\u00e3o se engane, subi muitas vezes. Bastava meus pais sa\u00edrem.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu ali confort\u00e1vel no meu melhor lugar, at\u00e9 que, derrepente um garoto chegava no meu port\u00e3o esbaforido gritando: sua m\u00e3e est\u00e1 chegando, ou seu pai est\u00e1 vindo,e em segundos surgiam decis\u00f5es imposs\u00edveis. Des\u00e7o agora? N\u00e3o vai dar tempo. Arrebento a linha? Perco tudo. Jogo no lote do vizinho? Ele pode contar. Solto tudo e deixo ir embora?<\/p>\n\n\n\n<p>Cora\u00e7\u00e3o acelerado. Mente em guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, no meio desses embates fort\u00edssimos e da chegada iminente dos meus pais, eu decidia: vou arrebentar a linha e descer da laje o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u2026 Ufa. Me safei, n\u00e3o fui pego. E, em algumas vezes, depois de viver perigosamente, literal e filosoficamente dentro da minha pr\u00f3pria mente, voltava o garoto que me alertara da chegada dos meus pais e dizia: \u201cacho que me enganei, n\u00e3o eram seus pais\u201d, e eu vivia uma nova descarga de adrenalina misturada com f\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas s\u00e3o algumas mem\u00f3rias. Entre tantas outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, elas ficam fragmentadas. Incompletas. \u00c0s vezes precisamos de algu\u00e9m do passado para nos ajudar a lembrar. Outras vezes basta um cheiro. Uma comida. Uma sensa\u00e7\u00e3o. Uma emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos tornamos adultos, cheios de responsabilidades e compromissos, esquecemos que um dia fomos apenas crian\u00e7as. Que o maior compromisso ao acordar era fazer com que o dia fosse insuper\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"226\" height=\"300\" src=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meu_aniversario_quando_crianca-226x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-437\" style=\"aspect-ratio:0.7533204854419501;width:168px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meu_aniversario_quando_crianca-226x300.jpg 226w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meu_aniversario_quando_crianca-771x1024.jpg 771w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meu_aniversario_quando_crianca-768x1021.jpg 768w, https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/meu_aniversario_quando_crianca.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Eu escrevo isso para que voc\u00ea, ao ler, encontre tamb\u00e9m as suas mem\u00f3rias. Para que, em vez de olhar apenas para frente, onde tudo \u00e9 incerto, possa olhar um pouco para tr\u00e1s e recarregar as energias.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque felicidade \u00e9 isso. S\u00e3o esses instantes. Aqueles momentos simples, intensos e verdadeiros que a gente queria que <strong>durassem para sempre<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para encerrar, deixo aqui tamb\u00e9m uma homenagem consciente. A reflex\u00e3o que atravessa este texto dialoga diretamente com um pensamento do fil\u00f3sofo Cl\u00f3vis de Barros Filho, no v\u00eddeo em que ele fala sobre felicidade como esses instantes que a gente queria que durassem para sempre. Este relato nasce da vida vivida, mas encontra palavras mais claras quando cruza com ideias que ajudam a nomear o que sentimos. Fica aqui minha dedica\u00e7\u00e3o e meu agradecimento, porque \u00e0s vezes uma frase bem colocada nos ajuda a reconhecer aquilo que a mem\u00f3ria j\u00e1 sabia, mas ainda n\u00e3o tinha conseguido dizer.<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DT5Jk5tDdSi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DT5Jk5tDdSi\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem mem\u00f3rias que n\u00e3o chegam at\u00e9 n\u00f3s como um filme com come\u00e7o, meio e fim. Elas chegam quebradas. Fragmentadas. 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