{"id":602,"date":"2026-02-06T19:41:42","date_gmt":"2026-02-06T22:41:42","guid":{"rendered":"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/?p=602"},"modified":"2026-02-13T12:52:48","modified_gmt":"2026-02-13T15:52:48","slug":"o-decimo-oitavo-concilio-da-historia-trento-quando-a-igreja-escolheu-reagir-ao-evangelho-em-vez-de-se-reformar-por-ele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oseiasplay.com\/blog\/o-decimo-oitavo-concilio-da-historia-trento-quando-a-igreja-escolheu-reagir-ao-evangelho-em-vez-de-se-reformar-por-ele\/","title":{"rendered":"O d\u00e9cimo nono conc\u00edlio da hist\u00f3ria, Trento, quando a Igreja escolheu reagir ao Evangelho em vez de se reformar por ele"},"content":{"rendered":"\n<p>O Conc\u00edlio de Trento, realizou-se na cidade de Trento, localizada no norte da It\u00e1lia entre 1545 e 1563, n\u00e3o surge como continuidade natural da hist\u00f3ria conciliar anterior, mas como <strong>resposta defensiva<\/strong> a algo que a Igreja j\u00e1 n\u00e3o conseguia mais conter, o retorno expl\u00edcito das Escrituras ao centro da f\u00e9 crist\u00e3. Diferente dos conc\u00edlios anteriores, que ainda se apresentavam como tentativas de corre\u00e7\u00e3o interna, Trento nasce com um objetivo claro, <strong>frear a Reforma Protestante e reafirmar o sistema que havia se consolidado ao longo de s\u00e9culos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, a ruptura j\u00e1 aconteceu. Lutero j\u00e1 pregou suas 95 teses em 1517. A B\u00edblia j\u00e1 come\u00e7ou a circular em l\u00edngua comum. A justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 j\u00e1 havia sido proclamada com clareza. A autoridade das Escrituras j\u00e1 havia sido colocada acima da tradi\u00e7\u00e3o humana. Trento n\u00e3o inaugura um novo caminho, ele <strong>fecha oficialmente um caminho alternativo ao Evangelho b\u00edblico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">O contexto hist\u00f3rico, a Palavra voltou a falar<\/h2>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, a Igreja j\u00e1 havia tentado se reformar em Latr\u00e3o V e falhado. As den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o moral, abusos financeiros, venda de indulg\u00eancias e distanciamento espiritual n\u00e3o foram tratadas em sua raiz. Quando Lutero questiona publicamente o sistema das indulg\u00eancias, ele n\u00e3o est\u00e1 propondo uma nova religi\u00e3o, mas ecoando aquilo que a pr\u00f3pria Escritura sempre ensinou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO justo viver\u00e1 pela f\u00e9\u201d (Romanos 1:17).<br>\u201cConclu\u00edmos, pois, que o homem \u00e9 justificado pela f\u00e9, independentemente das obras da lei\u201d (Romanos 3:28).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses textos n\u00e3o eram novidade. O que era novo era a coragem de coloc\u00e1-los acima da autoridade institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o foi imediata. Em vez de ouvir a Escritura, a Igreja convoca Trento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">As grandes decis\u00f5es de Trento<\/h2>\n\n\n\n<p>O Conc\u00edlio de Trento se estende por quase vinte anos e define pilares que moldariam o catolicismo at\u00e9 hoje. Entre suas decis\u00f5es centrais est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de Escritura e Tradi\u00e7\u00e3o como autoridades iguais<br>A reafirma\u00e7\u00e3o dos sete sacramentos<br>A manuten\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio como mediador necess\u00e1rio<br>A confirma\u00e7\u00e3o do purgat\u00f3rio<br>A legitima\u00e7\u00e3o das indulg\u00eancias, ainda que com ajustes<br>A condena\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, a ruptura se torna oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escritura, que afirma sua pr\u00f3pria sufici\u00eancia, \u00e9 colocada ao lado da tradi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cToda a Escritura \u00e9 inspirada por Deus e suficiente\u201d (2 Tim\u00f3teo 3:16\u201317).<\/p>\n\n\n\n<p>Trento n\u00e3o nega esse texto, mas o esvazia ao afirmar que a Escritura <strong>n\u00e3o \u00e9 suficiente por si s\u00f3.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Justifica\u00e7\u00e3o, o ponto central da ruptura<\/h2>\n\n\n\n<p>Nenhum tema em Trento \u00e9 mais decisivo do que a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o. Aqui, a Igreja escolhe definitivamente um caminho oposto ao do Evangelho apost\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>Trento afirma que a justifica\u00e7\u00e3o envolve f\u00e9 e obras, gra\u00e7a e m\u00e9rito humano, sacramentos e coopera\u00e7\u00e3o do homem. A f\u00e9 deixa de ser o meio exclusivo e passa a ser apenas o in\u00edcio de um processo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escritura, por\u00e9m, \u00e9 clara e insistente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSabendo que o homem n\u00e3o \u00e9 justificado pelas obras da lei, mas pela f\u00e9 em Jesus Cristo\u201d (G\u00e1latas 2:16).<br>\u201c\u00c0quele que n\u00e3o trabalha, mas cr\u00ea naquele que justifica o \u00edmpio, a sua f\u00e9 lhe \u00e9 imputada como justi\u00e7a\u201d (Romanos 4:5).<br>\u201cPela gra\u00e7a sois salvos, mediante a f\u00e9, e isto n\u00e3o vem de v\u00f3s, n\u00e3o de obras, para que ningu\u00e9m se glorie\u201d (Ef\u00e9sios 2:8\u20139).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses textos n\u00e3o admitem complemento. A justifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um processo, \u00e9 um ato soberano de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Trento transforma a gra\u00e7a em sistema. O Evangelho transforma o pecador em filho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">O impacto sobre os gentios e o povo simples<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o povo comum, Trento n\u00e3o representa liberta\u00e7\u00e3o espiritual. Pelo contr\u00e1rio, ele institucionaliza a depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A salva\u00e7\u00e3o permanece mediada pela Igreja.<br>A consci\u00eancia continua presa ao sacramento.<br>A culpa segue sendo administrada.<br>O medo continua sendo ferramenta pastoral.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso direto a Deus, ensinado no Novo Testamento, \u00e9 novamente cercado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos ousadia para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus\u201d (Hebreus 10:19).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ousadia \u00e9 substitu\u00edda por submiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Pontos fortes de Trento, organiza\u00e7\u00e3o sem Evangelho<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel reconhecer que Trento trouxe organiza\u00e7\u00e3o interna, disciplina clerical e uniformiza\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria. Mas organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de fidelidade b\u00edblica.<\/p>\n\n\n\n<p>Trento resolve problemas administrativos.<br>N\u00e3o resolve o problema do cora\u00e7\u00e3o humano diante de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus j\u00e1 havia alertado:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cV\u00f3s invalidais a palavra de Deus por causa da vossa tradi\u00e7\u00e3o\u201d (Mateus 15:6).<\/p>\n\n\n\n<p>Pontos fracos, quando o sistema vence a Palavra<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Os pontos fracos de Trento s\u00e3o estruturais:<\/h2>\n\n\n\n<p>A Escritura deixa de ser autoridade final<br>A f\u00e9 deixa de ser suficiente<br>Cristo deixa de ser o \u00fanico mediador funcional<br>A salva\u00e7\u00e3o passa a depender da institui\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 um s\u00f3 mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo\u201d (1 Tim\u00f3teo 2:5).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse texto n\u00e3o \u00e9 reinterpret\u00e1vel sem perda do Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">O papel de Lutero e o nascimento do protestantismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Trento n\u00e3o cria o protestantismo. Ele o confirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Lutero n\u00e3o rompe por orgulho, mas por fidelidade b\u00edblica. Ao afirmar a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9, ele n\u00e3o inventa algo novo, ele retorna a Paulo. Ao afirmar a autoridade das Escrituras, ele retorna aos ap\u00f3stolos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Calvino, posteriormente, organiza de forma sistem\u00e1tica aquilo que a Escritura j\u00e1 ensinava, a soberania de Deus na salva\u00e7\u00e3o, a centralidade da gra\u00e7a e a total depend\u00eancia do homem em rela\u00e7\u00e3o a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso nasce em Trento. Trento nasce contra isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Preparando o terreno para debates futuros<\/h2>\n\n\n\n<p>Aqui tamb\u00e9m se estabelece o solo onde, mais tarde, surgir\u00e3o outras distor\u00e7\u00f5es dentro do pr\u00f3prio protestantismo. Ao deslocar novamente o m\u00e9rito para o homem, ainda que em moldes diferentes, o pensamento de Jac\u00f3 Arm\u00ednio encontrar\u00e1 espa\u00e7o s\u00e9culos depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, entender Trento \u00e9 fundamental. Ele n\u00e3o apenas reage \u00e0 Reforma, ele <strong>define o campo de batalha teol\u00f3gico<\/strong> que seguir\u00e1 at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">O Evangelho que Trento tentou conter<\/h2>\n\n\n\n<p>O Evangelho continua simples:<\/p>\n\n\n\n<p>Deus salva pecadores mortos espiritualmente.<br>A f\u00e9 \u00e9 dom, n\u00e3o m\u00e9rito.<br>Cristo \u00e9 suficiente.<br>As obras s\u00e3o fruto, n\u00e3o causa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPorque dele, por ele e para ele s\u00e3o todas as coisas\u201d (Romanos 11:36).<\/p>\n\n\n\n<p>Trento escolhe outro caminho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Um conc\u00edlio que fecha a Idade M\u00e9dia espiritual<\/h2>\n\n\n\n<p>O Conc\u00edlio de Trento encerra definitivamente a possibilidade de reconcilia\u00e7\u00e3o entre o sistema medieval e o Evangelho apost\u00f3lico. A partir daqui, a Reforma n\u00e3o \u00e9 mais debate interno, \u00e9 separa\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A Palavra segue seu curso.<br>O sistema se fortalece.<\/p>\n\n\n\n<p>E a hist\u00f3ria crist\u00e3 entra em uma nova fase, marcada por confronto teol\u00f3gico aberto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Refer\u00eancia externa para valida\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/h2>\n\n\n\n<p>Documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e teol\u00f3gica sobre o Conc\u00edlio de Trento (1545\u20131563), suas decis\u00f5es doutrin\u00e1rias e impacto na Reforma Protestante, dispon\u00edvel em fonte enciclop\u00e9dica:<br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Conc%C3%ADlio_de_Trento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Conc%C3%ADlio_de_Trento<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o protestantismo, n\u00e3o uma nova religi\u00e3o, mas um retorno ao Evangelho<\/h1>\n\n\n\n<p>Depois do Conc\u00edlio de Trento, uma pergunta se imp\u00f5e com for\u00e7a hist\u00f3rica e espiritual. Se a Igreja institucional reafirmou tradi\u00e7\u00f5es, sacramentos e media\u00e7\u00f5es que a Escritura n\u00e3o apresenta como caminho de salva\u00e7\u00e3o, o que restava aos que desejavam permanecer fi\u00e9is ao Evangelho apost\u00f3lico?<\/p>\n\n\n\n<p>O protestantismo nasce exatamente dessa tens\u00e3o. Ele n\u00e3o surge como um projeto de divis\u00e3o, nem como funda\u00e7\u00e3o de uma nova religi\u00e3o, mas como <strong>um ato de consci\u00eancia diante da Palavra de Deus.<\/strong> Trata-se de um retorno, n\u00e3o de uma inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O protestantismo n\u00e3o nasce contra a f\u00e9 crist\u00e3<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental compreender isso desde o in\u00edcio. O protestantismo n\u00e3o nasce contra Cristo, contra os ap\u00f3stolos ou contra a Igreja primitiva. Pelo contr\u00e1rio, ele nasce<strong> em favor<\/strong> da f\u00e9 apost\u00f3lica, quando essa f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o encontrava espa\u00e7o dentro do sistema religioso que se consolidou ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escritura sempre estabeleceu um crit\u00e9rio claro para a fidelidade crist\u00e3:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda que n\u00f3s ou um anjo do c\u00e9u anuncie outro evangelho al\u00e9m do que j\u00e1 vos anunciamos, seja an\u00e1tema\u201d (G\u00e1latas 1:8).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Trento rejeita explicitamente a justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9, o problema j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 administrativo, \u00e9 <strong>evang\u00e9lico<\/strong>. A fidelidade a Cristo passa a exigir resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Protestar n\u00e3o \u00e9 rebelar, \u00e9 obedecer<\/h2>\n\n\n\n<p>A palavra \u201cprotestantismo\u201d carrega, at\u00e9 hoje, um peso negativo para muitos. Mas o protesto ao qual ela se refere n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico nem emocional. \u00c9 um protesto de consci\u00eancia, semelhante ao que os ap\u00f3stolos expressaram diante das autoridades religiosas de seu tempo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cImporta obedecer a Deus antes que aos homens\u201d (Atos 5:29).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a tradi\u00e7\u00e3o entra em conflito com a Escritura, a obedi\u00eancia crist\u00e3 n\u00e3o pode ser neutra. O protestantismo nasce nesse ponto exato, quando a Palavra de Deus \u00e9 colocada novamente acima de qualquer estrutura humana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">A Escritura como autoridade final<\/h2>\n\n\n\n<p>O eixo central do protestantismo \u00e9 simples e profundamente b\u00edblico, a<strong> Escritura interpreta a pr\u00f3pria f\u00e9<\/strong>. N\u00e3o como um livro isolado da comunidade, mas como a autoridade \u00faltima diante da qual toda tradi\u00e7\u00e3o deve ser julgada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cToda a Escritura \u00e9 inspirada por Deus e \u00fatil para o ensino, para a repreens\u00e3o, para a corre\u00e7\u00e3o e para a instru\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra\u201d (2 Tim\u00f3teo 3:16\u201317).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse texto n\u00e3o apresenta a Escritura como complemento, mas como suficiente. Quando algo precisa ser acrescentado para garantir a salva\u00e7\u00e3o, o Evangelho j\u00e1 foi alterado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Cristo como \u00fanico mediador<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro ponto inegoci\u00e1vel do protestantismo \u00e9 a centralidade absoluta de Cristo. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para media\u00e7\u00f5es paralelas, afetivas ou institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 um s\u00f3 mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo\u201d (1 Tim\u00f3teo 2:5).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simb\u00f3lica. Ela \u00e9 funcional. Qualquer sistema que distribua a media\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o entre sacerdotes, sacramentos ou figuras espirituais desloca Cristo do centro, mesmo que continue a cit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">A salva\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a, recebida pela f\u00e9<\/h2>\n\n\n\n<p>O cora\u00e7\u00e3o do protestantismo \u00e9 o Evangelho em sua forma mais simples e escandalosa para o orgulho humano. Deus salva pecadores <strong>pela gra\u00e7a<\/strong>, e essa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 recebida<strong> pela f\u00e9<\/strong>, n\u00e3o por m\u00e9rito, n\u00e3o por obras, n\u00e3o por submiss\u00e3o institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConclu\u00edmos, pois, que o homem \u00e9 justificado pela f\u00e9, independentemente das obras da lei\u201d (Romanos 3:28).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPela gra\u00e7a sois salvos, mediante a f\u00e9, e isto n\u00e3o vem de v\u00f3s, \u00e9 dom de Deus, n\u00e3o de obras, para que ningu\u00e9m se glorie\u201d (Ef\u00e9sios 2:8\u20139).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses textos n\u00e3o deixam espa\u00e7o para negocia\u00e7\u00e3o. As obras s\u00e3o fruto da salva\u00e7\u00e3o, nunca sua causa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Lutero e Calvino, instrumentos, n\u00e3o fundamentos<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante deixar claro que o protestantismo n\u00e3o se fundamenta em homens. Martinho Lutero n\u00e3o cria a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9. Ele a redescobre na Escritura. Jo\u00e3o Calvino n\u00e3o inventa um novo sistema de salva\u00e7\u00e3o. Ele organiza teologicamente aquilo que o texto b\u00edblico j\u00e1 afirmava de forma consistente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos est\u00e3o subordinados \u00e0 Palavra. Ambos erraram em pontos secund\u00e1rios. Nenhum deles \u00e9 refer\u00eancia final. A Escritura permanece acima de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExaminai as Escrituras\u201d (Jo\u00e3o 5:39).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sempre foi o esp\u00edrito do protestantismo quando fiel \u00e0 sua origem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">Um alerta necess\u00e1rio desde o in\u00edcio<\/h2>\n\n\n\n<p>Aqui \u00e9 importante plantar uma semente que ser\u00e1 retomada mais adiante na s\u00e9rie. O protestantismo n\u00e3o \u00e9 automaticamente fiel ao Evangelho apenas por existir fora do catolicismo. Sempre que o m\u00e9rito volta ao homem, sempre que a f\u00e9 \u00e9 condicionada, sempre que a gra\u00e7a \u00e9 relativizada, o Evangelho se perde novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo advertiu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTendo come\u00e7ado no Esp\u00edrito, agora vos aperfei\u00e7oais na carne?\u201d (G\u00e1latas 3:3).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa advert\u00eancia vale para toda a hist\u00f3ria da Igreja, inclusive para o pr\u00f3prio protestantismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\">O protestantismo como retorno, n\u00e3o como fim<\/h2>\n\n\n\n<p>O protestantismo, em sua ess\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada. Ele \u00e9 um retorno ao come\u00e7o. Um chamado \u00e0 simplicidade do Evangelho. Um lembrete de que a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o pode ser domesticada por sistemas, nem capturada por institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O que estava em jogo no s\u00e9culo XVI n\u00e3o era poder, era verdade. N\u00e3o era autoridade humana, era fidelidade a Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConhecereis a verdade, e a verdade vos libertar\u00e1\u201d (Jo\u00e3o 8:32).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa liberdade n\u00e3o nasce da ruptura por si s\u00f3, mas da obedi\u00eancia \u00e0 Palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daqui, a hist\u00f3ria entra em uma nova fase. A Escritura volta ao centro. O Evangelho volta a ser proclamado sem media\u00e7\u00f5es. E a Igreja institucional reage.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que Lutero se levanta.<br>E \u00e9 nesse ponto que a hist\u00f3ria da Reforma come\u00e7a de fato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conc\u00edlio de Trento, realizou-se na cidade de Trento, localizada no norte da It\u00e1lia entre 1545 e 1563, n\u00e3o surge 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